Brasília, sexta-feira, 29 de agosto de 2008 - 12:42
ELEIÇÕES AMERICANAS
Sindicatos dos EUA apostam na economia para atrair voto branco a Obama
Por: Andrea Hopkins da Reuters
Sindicalistas ligados ao Partido Democrata sabem que os discursos na convenção partidária desta semana não bastarão para conquistar o eleitorado branco e proletário que reluta em eleger Barack Obama o primeiro presidente negro dos EUA. Mas esperam conseguir isso com o boca-a-boca e com um foco maior nas questões que tocam no bolso do trabalhador.
As dificuldades de Obama junto ao eleitorado branco e proletário estão sendo ofuscadas, nesta convenção, pela luta do partido em seduzir os frustrados seguidores da ex-pré-candidata Hillary Clinton.
Mas, no discurso dos sindicalistas, há mais destaque para a necessidade de superar o preconceito racial contra Obama. "Muita gente no país nunca votou num afro-americano, nem [votou] para presidente", disse Karen Ackerman, diretora política da central sindical AFL-CIO, a jornalistas durante a convenção.
"Mas estamos confiantes de que Barack Obama será eleito quando os eleitores da classe operária souberem quem ele é e o que defende", acrescentou.
Pesquisa divulgada nesta semana mostra que Obama tem ampla liderança entre trabalhadores negros e latinos, mas que entre os brancos o republicano John McCain lidera por 44-43 por cento.
Mas a pesquisa da entidade sindical Lake Research for the Change To Win apontou também um caminho para superar a divisão racial: 40 por cento dos trabalhadores norte-americanos dizem que a economia é sua maior preocupação neste ano eleitoral.
BRANCOS FURIOSOS
"Precisamos aceitar o fato de que há alguns brancos furiosos que não vão votar em Barack Obama porque ele é um negro", disse Mike Fikes, 56 anos, sindicalista da construção civil e delegado partidário pelo Maine.
Mas há um enorme contingente que estaria disponível. Nos EUA, o proletariado não demonstra uma tendência política clara. Gravitou em torno do republicano Ronald Reagan na década de 1980, seguiu o democrata Bill Clinton nos anos 1990 e voltou ao republicano George W. Bush em 2000 e 2004.
"O desafio fundamental para nós não é toda a questão da cor da pele. É que nossa economia foi ao banheiro", disse Fikes.
Robert Thompson, 54 anos, diretor de um sindicato de funcionários públicos e convencional por Ohio, diz sentir um "subtexto" racial em conversas com colegas. "A realidade é que temos o primeiro candidato afro-americano a presidente, e não se pode minimizar essa dinâmica", disse Thompson, que é negro.
"Vai ser difícil superar. Temos de dizer a um trabalhador que a diferença entre Barack e McCain é que McCain está tentando acabar com o plano de saúde bancado pelo empregador."
A central AFL-CIO pretende gastar 53 milhões de dólares para convencer três milhões de afiliados indecisos em Estados estratégicos, como Ohio, Michigan e Pensilvânia.
Apelar para a economia deve ser o caminho mais fácil num ano em que há ameaça de recessão, aumento do desemprego, crise no mercado imobiliário e uma disparada nos preços dos alimentos e combustíveis.
Lawrence Mishel, do esquerdista Instituto de Política Econômica, disse que a economia ainda deve piorar até novembro, o que será bom para a estratégia eleitoral democrata.
"McCain não se distanciou em nada das políticas econômicas de Bush. Não acho que os eleitores trabalhadores brancos tenham sido conscientizados disso. Conforme a economia vier à frente, pode-se esperar que Obama capture muitos dos indecisos."
Obama promete saúde acessível para todos, reduções fiscais para a classe média e renegociação de acordos comerciais para proteger os empregos dos EUA.
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