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Brasília/DF - Terça-feira, 7 de setembro de 2010.
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8/2/2010 16:30:42

MENSALÃO DO DEM
Movimento “Fora Arruda” reúne centenas em protesto em Brasília

ABr 

Acusado de participar da tentativa de suborno ao jornalista Edson Sombra, uma das principais testemunhas do mensalão do DEM, afastou-se neste domingo (6) do cargo o secretário-particular do governador José Roberto Arruda e sobrinho dele, Rodrigo Arantes.

Segundo Antonio Bento da Silva, preso em flagrante depois de entregar uma sacola com R$ 200 mil a Edson Sombra, na manhã de quinta-feira, foi Rodrigo quem lhe deu o dinheiro destinado ao pagamento da primeira parcela do suborno.

O afastamento de Rodrigo foi precedido, quinta e sexta-feira, pelo de dois outros colaboradores de Arruda, ambos apontados por Edson Sombra como intermediários do governador na negociação do suborno.

Um deles é Welligton Moraes, assessor de Comunicação Social; o outro é Geraldo Naves, deputado distrital do DEM que Sombra denunciou à Polícia Federal como portador de um bilhete de Arruda e também da oferta de R$ 3 milhões, pelo governador, para que o jornalista dissesse que haviam sido manipulados os vídeos do mensalão do DEM gravados pelo delator do esquema, Durval Barbosa.

Sexta-feira, Naves desistiu de continuar na Câmara Legislativa. No sábado, desmentiu o advogado de Arruda que inventara a tese de que o governador não havia mandado nenhum bilhete a Sombra.

Ainda forte para pagar advogados, controlar a maioria dos deputados distritais e orientar sua turma a boicotar as investigações da Polícia Federal, mediante o adiamento de depoimentos, Arruda foi alvo neste fim-de-semana de mais duas denúncias e da primeira passeata importante desde que o Superior Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal tornaram público o esquema criminoso que ele comandava.

Uma das novas denúncias foi publicada na edição dominical da Folha de São Paulo. Informa que o Governo Arruda deu R$ 430 milhões a empresas de parentes de dois deputados distritais – Eliana Pedrosa (DEM e Cristiano Araújo (PTB) – e de um suplente – Wigberto Tartuce (PMDB) – que votarão o processo de cassação do governador.

A outra denúncia, publicada pelo Estado de S. Paulo, é a de que o esquema Arruda está mobilizando um grupo de arapongas para grampear parlamentares, fabricar e distribuir dossiês contra seus acusadores.

Na quarta-feira, agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil prenderam, diante da Câmara Legislativa, dois policiais civis de Goiás com equipamentos de escuta ambiental.

Segundo a deputada Érika Kokay (PT), os policiais goianos disseram ter sido contratos pelo ex-chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão, com a missão de gravar conversas nos gabinetes de opositores do governador.

"Dois dias depois da descoberta do suposto esquema de espionagem", lembra a reportagem do Estadão, o diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Cleber Monteiro, pediu exoneração.

O jornal informa também que a ex-presidente da seccão da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Estefânia Viveiros, procurou a Polícia Federal dizendo-se vítima de suposta trama de aliados do governador.

Ela entregou aos delegados duas fotos, que qualificou como claramente montadas, em que aparece conversando com Durval Barbosa, o delator do mensalão. O Governo Arruda contesta tudo.

De qualquer modo, como a quadrilha age sem reconhecer nenhum tipo ou grau de limite, a grande novidade mesmo surgiu nas ruas, precisamente numa das grandes avenidas que atravessam Brasília, na manhã deste domingo.

Pela primeira vez, centenas de estudantes, sindicalistas e outros moradores na cidade se reuniram em passeata para reclamar a saída de Arruda e de outros mensaleiros – o vice-governador, Paulo Octávio, e quase uma dúzia de deputados distritais.




Fonte: Brasília Confidencial
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